Padre Pedro, o ‘apóstolo dos pobres’
- 30 de dez. de 2025
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Atualizado: 5 de jan.

“Negar ajuda aos pobres é rejeitar a Deus”. As palavras são do Papa Leão XIV e certamente seriam reafirmadas pelo sergipano Padre Pedro, o “apóstolo dos pobres” ou “andarilho da caridade”, como ficou conhecido em Aracaju. Quem teve a possibilidade de conviver com ele em algum momento ressalta como características a humildade e a empatia.
Padre Pedro nasceu Pedro Alves de Oliveira no dia 3 de julho de 1904, na cidade de Riachão do Dantas, e faleceu em 21 de julho de 1997. Era filho do casal Vilobaldo do Amaral e Maria Alves de Oliveira. A religiosidade e os primeiros ensinamentos de fé e caridade foram observados dentro de casa, em um lar católico.
Os registros sobre a vida e obra do padre mostram que ele foi ordenado aos 24 anos, em 8 de dezembro de 1928 – Dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju. Foi vigário de diversas cidades sergipanas (Propriá, Rosário do Catete, Maruim, Santo Amaro das Brotas, Tobias Barreto e Arauá).
Por mais de quatro décadas atuou como capelão, levando Cristo através da eucaristia e das santas palavras. O conforto espiritual também era estendido aos moradores em situação de rua, que naquela época eram poucos, mas já enfrentavam a insegurança alimentar.
Contam que todos os dias ele saía a pé pelas panificações da região central de Aracaju pedindo pão para doar aos pobres. Em uma dessas madrugadas frias, quando seguia para o trabalho, o jornalista Douglas Magalhães teve um encontro com o sacerdote.
“Como repórter, testemunhei inúmeras vezes sua caminhada incansável pelas ruas da cidade, sempre com um saco nas costas, recolhendo pães das padarias para distribuir aos mais pobres. Muitas vezes lhe ofereci carona, pois a chuva se anunciava e o cansaço parecia inevitável. Mas ele, com um sorriso sereno, sempre recusava. ‘Obrigado, meu filho, mas meu caminho é esse’, respondia com firmeza”, escreveu na rede social @dougtvnews.

Em novembro de 1994, a também jornalista Gleydiomar Góis teve um encontro com o religioso no momento em que mais precisava. Meses antes, em 24 de agosto, ela havia perdido o pai, João Bosco dos Santos, vítima de um AVC aos 48 anos de idade. Naquela época, a jovem universitária dividia a dor com a mãe e os três irmãos.
“Foi um período terrível na nossa família. Eu era a mais velha e estava desempregada, morando aqui em Aracaju. Eu amava o meu pai, ele era o meu ídolo (era não, ainda é). Estava desesperada e encontrei Padre Pedro na rua, perto do Hospital Cirurgia. Ele estava com a tradicional batina preta. Eu olhei para ele com um olhar de desespero e disse: Padre Pedro, o meu pai morreu. Era próximo de meio-dia e fazia muito calor. Ele me pegou pela mão, me levou para debaixo de uma árvore e disse: Vamos rezar”, lembra.
Gleydiomar conta que o padre fez uma oração em tom baixo, quase inaudível, e juntos rezaram o Pai Nosso. “Ele me abençoou e disse que papai estava em paz e que eu também ficasse em paz. E nos despedimos. Eu fui para casa me lavando em lágrimas, mas depois senti uma paz imensa invadindo o meu ser. A partir daquele dia tudo começou a se resolver: consegui um emprego e as coisas começaram a melhorar”, afirmou a jornalista.
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