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Quem é o homem morto pela Guarda Municipal de Lagarto? Ele estaria em surto e vivia em situação de rua

  • 28 de set. de 2025
  • 3 min de leitura


José Teles dos Santos, 35 anos, era pedreiro, pai de um menino de 7 anos e natural de Itaporanga D’Ajuda, município localizado na Região Metropolitana de Aracaju. Esse é o nome do homem morto a tiros pela Guarda Municipal neste sábado (27), em plena luz do dia, na Avenida Sindicalista Antônio Francisco Rocha, no centro de Lagarto.


As imagens chocantes foram testemunhadas por diversas pessoas que passavam pelo local, naquela manhã. Algumas conseguiram sacar o celular e registrar a cena, amplamente divulgada nas redes sociais. Imagens que dividiram opiniões.


Um dos vídeos mostra a luta corporal. Eram dois guardas municipais — armados com arma de fogo, balas de borracha e cacetetes — e José Teles, que não portava nenhuma arma. É possível ouvir e ver os disparos contra o civil, até que um dos tiros, com arma letal, o derruba.

O documento emitido pelo Instituto Médico Legal de Sergipe classificou a causa da morte como homicídio por arma de fogo, com hemorragia aguda, traumatismo toracoabdominal (entre o tórax e o abdômen) e ação perfurocontundente. Na cena da morte, populares relataram ter ouvido pelo menos seis disparos.


Pito, como era conhecido entre os amigos, estava em situação de rua desde agosto, resultado de uma vida marcada por tragédias familiares, envolvimento com drogas e uma luta  intensa contra a depressão.


O Que Vem das Ruas conversou com familiares que revelaram o passado desse homem, que há cinco meses completou aniversário. E temente a Deus, frequentava a igreja, mas uma série de traumas abalou profundamente sua saúde mental a ponto de negar a fé.


Durante anos, as orações ajudaram a controlar os sintomas da depressão. Mas a morte do pai — um eletricista vítima de acidente de trabalho — foi o primeiro golpe. Depois, sua irmã foi encontrada morta, ao lado de um bilhete com ameaças direcionadas a Pito. O limite veio quando descobriu que a mãe estaria sendo vítima de uma suposta violência sexual. Com a mente em colapso, ele tirou a vida do agressor.


Por esse crime, cumpriu seis anos de prisão. Devido ao bom comportamento, foi libertado em agosto de 2025. Segundo familiares, no presídio recebia medicação, mas ao sair abandonou o tratamento. Voltou a usar drogas e recusou ajuda da família. Nos últimos meses, vivia nas ruas.


Uma pessoa, amiga da familia, disse que ele não era agressivo, mas ultimamente estava agitado. Minutos antes da morte, passou por José Teles, no mesmo local onde tudo aconteceu.



Em nota, a Prefeitura de Lagarto informou que “os dois guardiões envolvidos foram desvinculados de suas funções externas até a conclusão da sindicância interna, que acompanhará todos os detalhes do caso”.


A nota explica que a ocorrência começou após um casal relatar ter sofrido agressões por parte de José Teles, “que desferiu socos e chutes em seu veículo após a recusa de um pedido de ajuda financeira. A família informou que ele agia com agressividade e poderia oferecer riscos a outras pessoas”.


Segundo o comunicado, os guardas foram ao local e o suspeito se recusou “a obedecer aos comandos, agredindo sucessivamente os guardiões, que, na tentativa de contê-lo, aplicaram o escalonamento seletivo da força, com disparos de arma não letal (elastômero). Contudo, diante da continuidade das agressões, tornou-se necessário o uso da arma de fogo”. José foi socorrido, mas morreu no Hospital Universitário de Lagarto.


Em dois meses, este é o segundo caso de homem em situação de rua com transtornos mentais morto por forças de segurança em Sergipe. No dia 23 de julho, Luiz Maghave foi morto por um PM em Aracaju.


Pesquisadores da área alertam para a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental, não apenas para pessoas em situação de vulnerabilidade, mas também para os próprios agentes de segurança. O Estado precisa fazer alguma coisa.

 
 
 

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29 de set. de 2025
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