top of page
Buscar

CASO MAGHAVE: três tiros e um mês de silêncio

  • 22 de ago.
  • 2 min de leitura
ree

Neste sábado (23), faz um mês desde que o aracajuano Luiz Maghave de Souza, 37 anos, morreu em decorrência de traumatismo crânio-encefálico, lesão perfurocontundente e de um projétil de arma de fogo. Quando os amigos o encontraram, ele já estava sem vida, com o corpo encoberto na calçada do almoxarifado da Polícia Militar de Sergipe (PMSE), localizado na Rua Pacatuba, 193, no Centro de Aracaju.


A declaração de óbito do Instituto Médico Legal (IML) apontou uma provável causa: homicídio (vítima de arma de fogo). Foram dias sem identificação no necrotério até finalmente a família ser localizada e o corpo sepultado, em Itaporanga D’Ajuda.


Segundo nota enviada pela assessoria da PMSE (disparada no dia 28 de julho, quando foi procurada pelo Que Vem das Ruas), na madrugada do dia 23 de julho de 2025, “os policiais de plantão seguiram os protocolos previstos, emitindo voz de parada e advertência verbal.


O indivíduo, no entanto, não acatou às ordens legais e avançou contra o militar, o que exigiu uma ação imediata de defesa, resultando em um disparo único de arma de fogo, conforme relatado em boletim de ocorrência”.


ree

Esse “indivíduo” que a polícia se refere tinha diagnóstico de esquizofrenia e vivia em situação de rua. Diferentemente da nota oficial, uma testemunha afirma ter ouvido mais disparos no dia e horário em que Maghave morreu.


“Escutei três tiros. Na hora, estava sentado em frente a um abrigo que fica bem próximo. Quando ouvi os disparos, entrei pra dentro e, logo depois, fui lá ver”, disse um amigo da vítima (confira a entrevista em áudio).

Ele acredita que Maghave estava em surto e imaginava que o local era um espaço seguro para se proteger das alucinações da doença. Mas acabou morto, onde a única arma que carregava eram os delírios de alguém que precisava de cuidados de saúde — como tantas outras pessoas em situação de rua. Elas gritam por socorro, ninguém ouve. São silenciadas...


A PMSE reafirmou, na mesma nota, o “compromisso com a legalidade, com a proteção dos seus profissionais e com a preservação da ordem pública e do patrimônio do Estado de Sergipe”. Nenhum pedido de desculpas. Nenhum cuidado com os familiares. Nenhuma resposta aos entes queridos de Maghave. Uma das filhas dele está grávida — e nem teve tempo de contar ao pai.


A PM informou ao Que Vem das Ruas que o disparo foi efetuado por um policial de 71 anos, cujo nome não foi revelado. Segundo a corporação, ele não tinha condições de falar e estava sendo assistido.


Nesta sexta-feira (22), o Que Vem das Ruas buscou informações com a delegada Juliana Alcoforado, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A informação é que o caso está em andamento e os detalhes serão apresentados ao final da apuração.


“Nós que estamos na rua precisamos da ressocialização. Temos que ter apoio, não julgando, não tirando a vida de uma pessoa inocente. Decepcionado pelo fato de saber que ele (Maghave) não é uma pessoa má. Fazem o que quiser com a pessoa em situação de rua e não dá em nada. Isso só gera mais violência”, lamentou o amigo.

ree


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page