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Padre Pedro, o ‘Sergipano do Século’ 

  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Foto: Reprodução/www.youtube.com/watch?v=CevPsVZFwAo
Foto: Reprodução/www.youtube.com/watch?v=CevPsVZFwAo

Padre Pedro foi ordenado aos 24 anos de idade, no dia 8 de dezembro de 1928, Dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju. Quando completou 62 anos do seu ‘SIM’ à Igreja, o sacerdote concedeu uma entrevista ao repórter da TV Sergipe (afiliada da Rede Globo), Hermínio Matos. O assunto era a importância dele para a Igreja Católica em Sergipe e para as dezenas de pessoas em situação de rua que diariamente alimentava nas ruas da cidade.


Aos 86 anos de vida, padre Pedro sabia que era figura importante e notável no clero sergipano, mas preferiu responder ao jornalista com a virtude ensinada por Jesus: a humildade. “Não sei se minha vida serve de exemplo, não sei”, declarou. Até quando viver os ensinamentos de Cristo? “Até a morte. Até a morte. Até a morte”, completou.

Foi assim até o último suspiro. Em fevereiro de 2001, quatro anos após fazer a sua páscoa (morte), foi escolhido como o ‘Sergipano do Século’ em uma enquete realizada pela TV Sergipe, que perguntava quem era a figura mais importante do Século XX.


Foram 56.674 votos registrados em urnas eletrônicas, pelo telefone e pela internet, correspondendo a 60,30%. Sylvio Romero (intelectual, político e folclorista) ficou na segunda colocação com 9,30% (8.744 votos); Dom Luciano (religioso) obteve 4,8% (4.535); Mamede Paes Mendonça (comerciante) ficou com 4,7% (4.446); e em 5º lugar, Leandro Maciel (governador e senador), com 4,5% (4.243).


A popularidade do religioso também se relacionava ao trabalho social com os “desprezados” ou “não convidados”, como Tomás Halík chama os vulneráveis. Todos os dias, padre Pedro caminhava cerca de 3 km pelas ruas de Aracaju para preparar o corpo, o mesmo que minutos depois estendia as mãos nas padarias para pedir pão e doar mais à frente aos irmãos.


“Levo pão das padarias todos os dias, dentro de sacos. Mas não é quantidade grande, não. É alguma coisa, por exemplo, meio saco para essas famílias que eu levo. Quer dizer, é insuficiente. Não tenho recursos ainda para manter essa gente toda”, contou ao jornalista.

Padre Pedro sentia uma imensa tristeza por não conseguir ajudar como desejava, diante de uma população que aumentava a cada dia. “Muitos saem tristes, porque não dou o que eles pedem: dinheiro, dinheiro, comida. Duas senhoras dormindo em uma cama, no chão. Eu tive que comprar duas camas”, revelou.


Ele também mantinha uma associação beneficente e recebia doações na casa onde morava, na Rua Laranjeiras, Centro de Aracaju. “A fome e a miséria existem no mundo e aqui no nosso estado nós deveríamos olhar as pessoas, porque o amor de Cristo manda. A lei de Cristo nos manda olhar os pobres: amparar, proteger e tirar da fome”, reforçou.


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