Sônia Meire ouve movimentos sociais e pessoas em situação de rua
- 2 de set. de 2025
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A vereadora Sônia Meire (PSOL) realizou, nesta segunda-feira (1º), a Audiência Pública “Construção do Plano e as Garantias da População em Situação de Rua”, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). A discussão contou com representantes de movimentos sociais e algumas pessoas que vivem ou têm trajetória de situação de rua.
Há mais de dois anos, a vereadora mantém um diálogo com esse grupo populacional, fazendo a escuta para transformar as demandas em políticas públicas no município de Aracaju. “Essa audiência contempla a pauta e é muito importante para as pessoas em situação de rua e os mais vulneráveis. Há um processo de desigualdade social histórico que leva a essa invisibilidade. Essas vidas interessam a quem?”, questionou.
Diego Sem Freio, que há três anos vive próximo à Câmara Municipal, pediu às autoridades atenção especial para a saúde mental dele e das outras 623 pessoas que, segundo o Censo Pop Rua Aju, dormem nas ruas da capital. Ele também lembrou do colega Luiz Maghave, morto por um agente da Polícia Militar de Sergipe (PMSE) no dia 23 de julho.
“Infelizmente tava com o psicológico abalado, precisava de cuidados. Ele foi assassinado pelo Estado, não foi o policial que atirou. Foi o Estado que não chegou direito. Eu, como sou esquizofrênico e tenho TDH, peço um olhar pra nossa gente. Hoje, vim aqui para não ser mais um, pra não acabar como Maghave”, declarou Diego.
“Olhem para as causas de cada um, que levaram à situação de rua. Que as autoridades olhem para essas pessoas, para mim. Quem pode falar do frio é quem tem frio. É quem tá sem cobertor. E acabar com a invisibilidade. Nós estamos sem dignidade. Na rua, o abismo chama outro problema”, orientou Rafael Marinho, que também vive em situação de rua.
Para o coordenador do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Alisson Oliveira, os muros precisam ser transpostos para tirar do papel os direitos estabelecidos na Constituição. “Os outros estados estão caminhando. Aracaju não se move. Essa audiência é um passo grande com a ideia da construção de um plano”, pontuou.
A acolhida no Centro de Referência Especializada da População em Situação de Rua (Centro POP), Zaira Dias, pediu o aumento do serviço de segurança no equipamento social, com uso de detector de metal, e cobrou atenção à saúde das mulheres vulneráveis, com respeito à entrega de absorventes.
“A violência não é só o estupro. E quando a gente vai fazer a denúncia em uma delegacia, mandam ir para uma especializada. Gostaria de pedir um silêncio em respeito às mulheres mortas”, afirmou Zaira.
“A população em situação de rua existe e está pedindo socorro. Esses homens e mulheres querem sair das ruas. Vocês que estão sentados nessas cadeiras, seria bom ir às ruas e ouvir as nossas dores. Foi a necessidade que me levou às ruas”, cobrou Simone da Silva Gonçalves, há mais de 15 anos em situação de vulnerabilidade.
A vereadora Sônia Meire é autora do Projeto de Lei Nº 154/2025, que dispõe sobre os princípios e diretrizes para a elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para o trabalho digno e a cidadania da população em situação de rua, em Aracaju.