Padre Júlio Lancellotti: um santo entre nós
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Como se comportar diante de um santo? O que dizer diante de alguém que é reflexo do Altíssimo? O que perguntar durante uma entrevista coletiva? Por dias, esses questionamentos criaram uma atmosfera de ansiedade logo após a confirmação da vinda do Padre Júlio Lancellotti à capital sergipana.
Com pouco mais de 20 anos de formação e prática jornalística, o frio na barriga diante de uma entrevista importante é normal. O que não é normal, é fica sem saber o que perguntar. E o sacerdote me deixou assim.

Sentado na escadaria do Palácio da Justiça, ao lado de colegas da imprensa, via o movimento do trânsito dar lugar a cadeiras, mesas e muitos admiradores do religioso que, pela primeira vez, vinha a Aracaju. Aquele lugar estava prestes a testemunhar um dos momentos mais significativos para as 623 pessoas, acima de 18 anos, que todos os dias dormem nas ruas e calçadas.
Eram por volta das 17h25, daquele 31 de agosto de 2026, quando a ansiedade deu lugar à serenidade. Os passos lentos do padre seguiam em nossa direção. Ao se aproximar, parecia um de nós. Simples, olhava nos olhos e falava com a linguagem do Amor.

Durante a entrevista, fiz três perguntas: uma sobre a saúde mental das pessoas em situação de rua, outra sobre o direito ao voto e a terceira, que também encerrou a conversa com a imprensa e, para mim, foi a mais importante.
— Padre, por que a sua opção pelos pobres?
Ele respondeu:
— Porque é a opção de Jesus. E, se eu segui-lo, tenho que fazer essa opção também.
Foram palavras cheias de sabedoria e embebidas do evangelho deixado pelo Mestre dos mestres.

E foi assim que aconteceu. Ele ouviu, observou, cantou, discursou e acolheu. Dona Margarida Maria Macedo, estava em êxtase, foi uma das primeiras a receber o abraço do líder religioso. E conseguiu repetir!
— Tem gente que pensa que a gente só precisa de comida, de água. A gente também precisa de um abraço. Padre Júlio não sorri com os olhos. Ele sorri com o coração.
Naquela noite, Ivan, de 46 anos, 30 deles em situação de rua, sentiu o poder curativo do amor:
— Eu me senti bem. Cheguei com dor de cabeça e, quando toquei na mão dele, fiquei bem melhor. Ele tem uma energia boa. Ele é santificado e querido por Deus!

São relatos de algumas horas ao lado de um santo. Um santo de carne, osso e coração, em comunhão com os Dez Mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E também com as Sagradas Escrituras, quando dizem: “... quem ama a Deus ame também a seu irmão” (1 João 4:21).




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