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Mulher em situação de rua é algemada e separada da única rede de apoio: os animais. Qual foi o crime?

  • 9 de ago.
  • 2 min de leitura

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Um vídeo que circula nas redes sociais tem provocado revolta nas pessoas que, diariamente, conviviam com Kate Marrone, uma mulher negra em situação de rua, conhecida em Aracaju pelo amor dedicado aos seus cães e pela simpatia distribuída nas proximidades da Rotatória do Caju. Em uma operação da Polícia Civil de Sergipe, ela foi presa, algemada e teve os animais retirados à força (Veja o vídeo) na manhã desta sexta-feira (8).


A Polícia Civil informou que o mandado de prisão preventiva foi expedido no âmbito de investigação pela prática dos crimes de “maus-tratos a cães, extorsão e lesão corporal”. O texto publicado pela corporação nas redes sociais também destacou que Kate já havia sido presa anteriormente, em 30 de abril, e solta após audiência de custódia. Segundo a PC, os fatos teriam se repetido.


O Que Vem das Ruas conversou com representantes de movimentos sociais que atuam com as pessoas em situação de rua. Eles lamentaram a abordagem classificada como higienista e aporofóbica.


“É uma relação de afeto que ela tem com o animais, de cuidado mútuo, com as estratégias possíveis do viver na rua. Ela nunca incomodou ninguém. Utiliza estratégias para conseguir dinheiro, que são dinâmicas economias comuns das pessoas em situação de rua”.

Os representantes também reforçaram o amor que Kate dedicava aos animais:

“Quem transita [pela avenida] a conhece há anos e sabe que ela não faz isso. Mas o poder público quer prender, quer tirar e resolver o caso sem criar estratégias nem possibilidades. É sempre desse jeito. É um absurdo que continuem acontecendo situações como essa”.

Na rede social da Delegacia Especializada de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama), onde o vídeo foi publicado, seguidores criticaram a ação da Polícia Civil de Sergipe:

“Eu fico impressionada com a forma como a trataram: algemas!!!”; “Ela sempre foi muito boa comigo... e nunca vi maltratando os bichinhos nem ameaçando ninguém...”; “Creio que ela cuida melhor do que muitos animais que ficam largados na rua, invisíveis para o poder público”; “Nunca a vi usá-los para atacar ninguém. Os animais eram muito bem cuidados”.

Entre os comentários, um chamou atenção para a necessidade de um cuidado humanizado a uma mulher em situação vulnerável, que fazia dos animais sua rede de apoio para enfrentar as dificuldades: “Parem de lacrar em redes sociais e a encaminhem para pessoas especializadas, para que ela volte ao convívio social e possa recuperar seus animais, que são sua ‘família’”.

Em resposta às críticas, o administrador do perfil da Depama afirmou que a tutora “reside em um barraco embaixo da ponte Godofredo Diniz, sendo uma moradora de rua, criando vários cães em situação de vulnerabilidade” [o que há de mau nisso?]. E segundo a Polícia Civil, foram apreendidos seis cães: um filhote, quatro machos e uma fêmea. “Os animais foram imediatamente atendidos por médicos-veterinários do Hospital UNIPIO e serão abrigados em um lar temporário, ficando à disposição do Poder Judiciário.”


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