Empresário humilha idoso em situação de rua em troca de roupas e dinheiro
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Proteger contra o abandono e os vários tipos de violência. Estes são alguns dos direitos garantidos pela Constituição Federal a qualquer cidadão e assegurados pelo Estatuto da Pessoa Idosa às pessoas 60+. Direitos nem sempre aplicados ou respeitados. Atitudes que ferem a dignidade humana e ajudam a criar abismos sociais.
Seu Simão, de 83 anos, é um desses brasileiros que convivem com essas ausências. Vivendo em situação de rua, o idoso passa os dias e as noites vagando pela cidade de São José do Rio Preto, na região noroeste do estado. O município, distante cerca de 450 km da capital paulista, é um dos maiores do interior de São Paulo.
Para sobreviver nessas condições, manguear é a opção que Seu Simão encontra para conseguir comida, água e garantir alguns trocados, assegurando um pouco mais de independência na selva de pedra. Um espaço de sobrevivência em constante alerta.
Ao se aproximar do empresário, Seu Simão acreditava que a promessa de roupas limpas e um pouco de dinheiro vinha de um coração generoso. Minutos depois, com a câmera de um aparelho celular apontada para ele, descobriu estar diante de um cidadão com o coração enrijecido pelo capitalismo, pela soberba e, principalmente, pelos likes e engajamento que a exposição nas redes sociais possibilitaria. Para alguns, uma “humilhação disfarçada de caridade”.
Na sequência de imagens, o empresário tenta aplicar tinta no cabelo e na barba do idoso, que parece defender-se da “brincadeira”. O empresário diz: “Vai ficar acaju”. O idoso pede para combinar, mas recebe como resposta: “Combinar o quê? Tão te ajudando, cê tá achando ruim por quê?... Tira a roupa dele... Cê não quer que te ajude? Vou dar cinquenta real”.
A cena de desrespeito e humilhação nos lembra a relação entre opressor e oprimido, tão denunciada pelo filósofo Paulo Freire. Um processo que ajuda na manutenção do poder hegemônico dos que têm tudo e acreditam ser os “donos do poder”.
Esse poder fica evidente quando o idoso, já sem condições de argumentar e até de reagir fisicamente, sentado recebe as doses de humilhação. É quando o empresário usa uma das mãos para segurar a vasilha com a tinta e, com a outra, arranca a dignidade ao espalhar o produto sobre a barba e o cabelo de Simão. A pessoa que grava a cena assiste a tudo gargalhando.
O empresário foi às redes sociais e explicou que é amigo do idoso há mais de 20 anos, um ex-corretor de automóveis, e pediu desculpas às pessoas — não a Simão:
“Tá parecendo uma coisa, mas na realidade era um clima de amizade, comendo ali um churrasco, tomando um refrigerante (...) Fazia muitos anos que não via ele (...) tava cabeludo, barbudo e até falou assim: pintar seu cabelo, deixar mais bonito. Jamais tive essa intenção de causar tudo isso. O Simão é amigo da gente (...) tenho um carinho muito grande (...) E me desculpar com as pessoas que tão interpretando como se eu tivesse fazendo esse mal à pessoa dele”. SERÁ?




Este empresário é um MEDÍOCRE,um MISERÁVEL